sexta-feira, 25 de maio de 2012

Conceitos de Estética na rua Júlio de Castilhos em Porto Alegre/RS. Fotos Carla Meurer Magalhães




do Site da Revista Época

CULTURA


10/12/2004 - 16:26 | Edição nº 343

história
A estética e o tempo
Em edição luxuosa, Umberto Eco percorre a História da Beleza
BEATRIZ VELLOSO


ANTIGUIDADE
Busto Feminino, do século II a.C.
Nas últimas linhas da luxuosa edição História da Beleza, após 400 páginas de idéias, textos históricos, análises e ilustrações, o professor, estudioso e escritor italiano Umberto Eco chega a uma conclusão. Falando de um hipotético explorador do futuro que voltasse ao recém-encerrado século XX para descobrir o que era considerado belo em nosso tempo, Eco declara: ''(o explorador) Será obrigado a render-se diante da orgia de tolerância, de sincretismo total, de absoluto e irrefreável politeísmo da Beleza''.
É assim mesmo, com letra maiúscula, que o escritor - catedrático da Universidade de Bolonha, mais conhecido por romances como O Nome da Rosa - refere-se a seu objeto de estudo. A reverência com que aborda o tema fica clara ao longo deste lançamento. Mas o que realmente cativa o leitor é a erudição de Eco, qualidade que fica evidente sem que o autor soe, em nenhum momento, pedante. Antes de chegar ao século XX, Eco passeia por Grécia e Roma antigas, pela Idade Média, pelo Renascimento, pela estética vitoriana do século XIX. Ele se apóia em textos de Platão a Eric Hobsbawm, passando por Dante, Kant, Hegel e Kafka, e reproduz trechos destes e de muitos outros autores. Trata-se de uma viagem pela história do homem, da arte e, sobretudo, do olhar.
Apesar de ser repleto de reproduções de quadros e esculturas, História da Beleza não é um livro sobre Arte. Quem faz a ressalva é o próprio Eco. ''É uma história da Beleza e não uma história da arte (ou da literatura ou da música), logo, só serão citadas as idéias expressas no decorrer do tempo sobre a arte quando relacionarem Arte com Beleza'', escreve. Mas o próprio Eco admite que a arte sempre foi - e é no livro também - o principal meio de documentação da beleza, porque foram ''artistas, poetas, romancistas que nos contaram através dos séculos o que eles consideravam belo e que nos deixaram seus exemplos''.....
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